sábado, 26 de setembro de 2009

Nasa escolhe projeto argentino para habitat na Lua

Os humanos poderão viver na Lua dentro de um cilindro de três metros de diâmetro por dez de comprimento, entre outras características do projeto do argentino Pablo de León, escolhido pela Nasa (agência espacial americana) para que as missões possam ficar seis meses no ambiente lunar, o que deve acontecer até 2020.
O habitáculo lunar terá "um esqueleto metálico" que permitirá dividi-lo em diversas partes, "para diversas funções, e que concederão privacidade", afirmou De León, em entrevista publicada hoje pelo jornal "Página/12".
"A intenção final do novo projeto lunar da Nasa é, na realidade, chegar a Marte", disse.
Este engenheiro dirige o Laboratório de Roupas Espaciais da Universidade de Dakota do Norte (EUA) e também foi designado pela Nasa para desenhar os futuros veículos lunares.
"Como a Lua fica relativamente perto da Terra, o projeto permitirá colocar em prova todos os sistemas que depois serão usados na expedição tripulada a Marte", afirmou.
A viagem a Marte "durará cerca de um ano, portanto, é importante ter tudo testado, caso haja alguma emergência", acrescentou.
Para prevenir os danos à saúde causados pela forte radiação solar recebida na Lua, o habitáculo será coberto com poeira lunar, como isolante, disse De León.
"Faremos simulações deste procedimento em uma zona desértica dos Estados Unidos", especificou.
Disse que o novo veículo lunar "será parecido" com o utilizado nas viagens das missões Apolo, "mas com a diferença de que levará um módulo pressurizado, para que seus ocupantes não precisem usar roupas espaciais".
"Isso permitirá explorações que se afastem bastante da base lunar, inclusive será possível dormir no veículo. As roupas espaciais só precisarão ser usadas para sair ao exterior", afirmou.
A nova nave para viajar à Lua começará a ser testada em 2015, a fim de realizar uma expedição de seis meses de duração até 2020.

Nasa divulga foto da Terra captada por sonda indiana na Lua



A Nasa, agência espacial americana, divulgou nesta quinta-feira uma imagem da Terra fotografada pela sonda espacial indiana Chandrayaan-1 a 200 km da superfície da Lua. A foto foi captada no último dia 22 de julho pelo Mapeador de Mineralogia Lunar, um dos dois instrumentos americanos que o observatório indiano carrega em missão no satélite.
Na fotografia, a Austrália é visível no canto inferior esquerdo da Terra, os oceanos aparecem em azul escuro, as nuvens em branco e a vegetação em verde forte. O Mapeador de Mineralogia Lunar é um espectômetro projetado para fornecer o primeiro mapa de toda a superfície lunar nas resoluções espacial e espectral.
Os cientistas vão utilizar os dados fornecidos pela Chandrayaan-1 para responder às perguntas sobre a origem da Lua e o desenvolvimento e evolução dos planetas terrestres no Sistema Solar. No mês passado, os cientistas indianos perderam contato com a Chandrayaan-1 e abandonaram a missão, mas o telescópio já havia coletado e transmitido dados suficientes sobre as novas descobertas de água na Lua.

Nasa divulga imagem de formação incomum no espaço


Observando a estrela LRLL 31 - localizada na região da constelação de Perseus, a cerca de mil anos-luz - com a visão infravermelha do telescópito espacial Spitzer, astrônomos da Nasa encontraram um padrão incomum na nuvem de gás e poeira que a cerca. Segundo os cientistas, esse padrão diferenciado poderia significar que a estrela tem um pequeno planeta - ou outra estrela - como companheiro.
Os dados mostram também que o comprimento de onda da luz emanada pelo disco de poeira se altera de semana a semana, o que é considerado um curtíssimo espaço de tempo para os fenômenos espaciais e que, segundo os astrônomos, é muito incomum.
Os cientistas afirmam que essa alteração poderia ser causada pelo 'companheiro' da estrela (representado na imagem como um pequeno planeta). Se o companheiro girasse em torno da estrela, a gravidade dele poderia empurrar a parte interna do disco e formar uma deformação como uma parede.
Essa parede também giraria em torno da estrela, provocando uma sombra na parte externa do disco. Quando a parede está na parte do disco mais próxima ao Telescópio, mais luz infravermelha de curto comprimento de onda deve ser observada. E foi esta variação que o Spitzer observou.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Observatório europeu publica nova imagem do centro da Via Láctea

O Observatório Europeu Austral (ESO, na sigla em inglês) publicou hoje uma nova imagem do centro da Via Láctea formada a partir de 1.200 fotografias captadas a partir do norte do Chile com um telescópio amador.

A fotografia mostra a cor real do centro da galáxia na qual se situa o sistema solar, além da área entre a constelação de Sagitário e a de Escorpião.

A imagem foi composta pelo astrônomo e fotógrafo francês Stéphane Guisard a partir das fotografias feitas por um telescópio amador durante mais de 200 horas de exposição distribuídas por 29 noites no morro Paranal, a 1.100 quilômetros ao norte de Santiago.

A ESO é a principal organização astronômica intergovernamental da Europa e recebe apoio de 14 países: Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, França, Finlândia, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.

A sagração da primavera… em Saturno


Dos incontáveis equinócios que Saturno tem tido desde que o Sistema Solar foi criado, chegou o mais especial de todos. Por que este seria o mais especial? Porque finalmente tem alguém lá para ver: a sonda Cassini.

A cada 15 anos (14,8 anos, para ser mais preciso), o Sol cruza o plano dos anéis por duas vezes, da mesma maneira que o Sol cruza o nosso equador celeste. Aqui na Terra, estes momentos marcam mudanças de estação: o inverno vira primavera e o verão vira outono. Hoje, dia 22 precisamente, às 18:18, o Sol deve cruzar o equador, passando do hemisfério norte para o Hemisfério Sul. Para nós é o início da primavera e para quem está no Hemisfério Norte é o início do outono. Na verdade, para mim também, já que eu estou nos EUA agora, mas é por pouco tempo.

Para nós, essas mudanças significam mudanças no clima, duração do dia ou até mesmo de comportamento, mas em Saturno as mudanças não são tão dramáticas. Mesmo assim, é um evento raro e até agora visto unicamente a uma distância de mais de um bilhão de quilômetros.

Quando o Sol cruza o plano dos anéis de Saturno ele o ilumina de perfil, com os raios passando rasantes pela sua superfície. Isso os torna mais escuros, mas ressalta algumas estruturas fracas que passam a maior parte do ano saturniano em condições difícies ou até impossíveis de se observar. Por exemplo, eu já mostrei em um post anterior as sombras provocadas por montanhas nos anéis, em estruturas verticais que eram previstas pela teoria, mas nunca observadas.

Agora chegaram novas fotos da Cassini tiradas um dia depois do equinócio. A foto acima, em especial, é uma composição de 75 fotos tiradas sobre o plano dos anéis durante 8 horas seguidas. As imagens passaram por um tratamento para que o brilho dos anéis fosse ressaltado. Se não fosse isso, eles nem sequer apareceriam na imagem final.

Talvez o aspecto mais interessante dessa imagem seja a sombra projetada pelos anéis. Normalmente vemos uma sequência de raias sobre Saturno, representando as seções dos anéis, mas com o Sol batendo exatamente na mesma linha dos anéis, todas essas raias se colapsaram para formar uma banda única bem fininha. Essa banda fininha só volta a aparecer daqui a sete anos e meio!

Mais do que uma data rara de se acontecer, essa é uma oportunidade incrível para se estudar as estruturas fracas dos anéis. Para que elas sejam detectadas, não somente é preciso que o Sol esteja em uma posição favorável, mas também que tenha alguém muito perto para vê-las. Foi assim dessa vez e espero que assim seja da próxima, em 2017!

A Andrômeda invisível


Saiu na semana passada uma imagem de Andrômeda que nunca havia sido vista. Ela foi obtida em comprimentos de onda no ultravioleta, uma faixa espectral que a atmosfera da Terra consegue filtrar quase totalmente. Alguma coisa ainda atinge a superfície (como os casos de câncer de pele podem atestar), mas de modo geral, astronomia no ultravioleta é feita com instrumentos no espaço.

Essa imagem, de uma Andrômeda invisível para nossos instrumentos, foi obtida pelo satélite Swift. A missão principal deste satélite é observar eventos de raios gama, os famosos gamma ray bursts. Ele já conseguiu registrar mais de 400 destas explosões, que representam um dos eventos mais energéticos já observados no universo.

A galáxia de Andrômeda está a 2,5 milhões de anos luz de distância e é uma espiral muito parecida com o que se pensa que seja a nossa galáxia. Quando alguém pergunta qual a maior distância que um ser humano pode enxergar a olho nu, provavelmente a resposta é 2,5 milhões de anos luz. Andrômeda pode ser vista (especialmente para habitantes do hemisfério norte) como uma mancha na constelação que leva o mesmo nome.

Essa nova imagem mostra alguns detalhes até então desconhecidos. Diferente da imagem no vísivel em que o centro apresenta uma mancha pálido-amarelada, a imagem no ultravioleta mostra aglomerados de estrelas salpicados em torno do centro da galáxia. Isso por que no visível o centro é dominado pela luz de estrelas velhas e frias, o ultravioleta revela a população de estrelas jovens e quentes.

Outro detalhe notável é um gigantesco anel de pontos azulados, revelando os locais onde estrelas estão se formando. As estrelas se concetram neste “anel de fogo” porque é nesta região que está a matéria para formar novas estrelas. No centro o gás já foi consumido.

Uma explicação para este anel de intensa formação de estrelas é a interação com galáxias-satélites orbitando Andrômeda. As forças gravitacionais agem entre as galáxias como forças de maré e desse intenso cabo de guerra cósmico, regiões de formação de estrelas são geradas e, invariavelmente, algumas galáxias são engolidas por Andrômeda, como falei aí no post abaixo.

domingo, 20 de setembro de 2009

Exposição em Tabuleiro atrai pessoas









Durante os dias 18 e 19 de Setembro, o CVJA realizou em Tabuleiro do Norte a exposição "Paisagens Cósmicas: da Terra ao Big bang". O evento aconteceu na Escola Francisco Moreira durante os dois dias. Cerca de 500 pessoas estiveram no evento, a maioria crianças e jovens de varias escolas da cidade. Teve exibição de video, banners e na noite do dia 19, observação de planeta e estrelas com telescópio, foi pouco o tempo da observação, pois o céu ficou nublado, o que impediu a maior atração do evento. Agradecemos a todos que nos ajudaram a realizar essa grande distribuição de conhecimento sobre Astronomia aos jovens de Tabuleiro.

Guilherme Weber
Secretário